Mostrando postagens com marcador Tag {Autor}: James Maliszewski. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tag {Autor}: James Maliszewski. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de abril de 2026

O Jogo Longo: Exceções às “Regras”

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em maio de 2025)

Ainda sobre a série "O Jogo Longo", onde Maliszewski trouxe algumas "máximas" para auxiliar na execução desse tipo de empreitada, aqui ele comenta sobre algumas exceções às "máximas"...

Nos comentários da Parte I da série “O Jogo Longo” [2][3][4], um leitor escreveu:
Tenho curiosidade de ler sobre alguns dos casos em que você violou seus princípios e como isso acabou funcionando.
Achei essa uma premissa interessante para outro texto. O que segue é uma análise de cada uma das máximas que apresentei naquela série e das vezes em que as ignorei. Meu objetivo aqui é duplo: primeiro, deixar claro que, mesmo quando um árbitro é intencional na forma como estrutura e conduz sua campanha, provavelmente é impossível evitar se afastar de seus próprios princípios de vez em quando; e, segundo, mostrar que fazer isso não é o fim do mundo. Minhas máximas não são uma fórmula. São mais como uma receita, algo que cada árbitro pode (e deve) ajustar para se adequar aos seus próprios gostos.

Jogue com Amigos

Acredito muito nisso e já disse isso muitas vezes ao longo da história deste blog [5]. De modo geral, jogos de interpretação são melhor vivenciados com amigos. Dito isso, reconheço que isso nem sempre é possível.

Um bom exemplo é minha campanha House of Worms, que é, de longe, a campanha mais longa e bem-sucedida que já conduzi com um grupo estável de jogadores. Ela começou em março de 2015 com seis pessoas, a maioria das quais eu mal conhecia na época. Eu tinha algum contato com elas através do já extinto Google Plus, mas chamar qualquer uma delas de “amiga” naquele momento seria um exagero.

Apesar disso, nos demos bem. Talvez tenha sido pura sorte. Talvez tenha sido uma disposição compartilhada de sermos respeitosos, imaginativos e curiosos. Seja qual for o motivo, aqueles estranhos acabaram se tornando amigos – e a campanha, como leitores de longa data sabem, tornou-se algo quase lendário. Se eu tivesse seguido rigidamente minha máxima, isso nunca teria acontecido. Na verdade, é até possível que a ausência de laços sociais pré-existentes tenha ajudado. Isso nos deu espaço para encontrar nossa própria dinâmica dentro da campanha em evolução, sem nenhuma bagagem externa. Em um cenário como Tékumel, isso é realmente muito valioso.

Ainda acho que a amizade prévia ajuda – muito – mas nem sempre precisa vir primeiro. Às vezes, a campanha é o cadinho onde a amizade é forjada.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O Árbitro como Jogador

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em abril de 2010)

O mestre de jogo como alguém que também descobre o mundo de jogo (e porque não o próprio jogo?), à medida em que o joga...

Em seu comentário no meu post sobre RuneQuest, Rob Conley disse o seguinte:
É divertido brincar com um sistema que tem os elementos de GURPS de que gosto (perícias, combate detalhado etc.), mas que parece mais próximo das raízes do hobby (rolagens aleatórias, a morte sempre à espreita etc.).
A inclusão de “rolagens aleatórias” por Rob entre “as raízes do hobby” despertou uma percepção em minha mente: deixando todas as outras questões de lado, o que eu realmente mais gosto nos jogos old school é o reconhecimento implícito de que o árbitro também é um jogador.

Deixe-me explicar. Por mais que eu goste de jogos mecanicamente simples, a simplicidade mecânica não é necessariamente decisiva para eu gostar de um jogo. Certamente tenho muito menos tolerância para jogos complexos do que costumava ter, mas não rejeitaria um jogo mecanicamente complexo de imediato, se sentisse que essa complexidade me oferece algo que não posso obter com regras mais simples. E o principal "algo" que poderia prender meu interesse hoje em dia é, por falta de palavra melhor, a surpresa.

Na minha visão, boa parte da diversão de ser um jogador em uma campanha de RPG vem da ignorância. Você não conhece os detalhes das aventuras que o árbitro planejou; pode nem saber muito sobre o cenário mais amplo em que essas aventuras acontecem. Em muitos jogos old school, você nem sabe que tipo de personagem vai jogar até rolar alguns dados e ver. Com o tempo e através do jogo, todos esses aspectos de ignorância diminuem em algum grau, e o processo de reduzi-los gera muita diversão. [2]

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Tábula Rasa {Blank Slate*}

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em janeiro de 2010)

A Tábula Rasa no início de uma campanha, e o RPG exaltado enquanto possibilidade da emersão de ideias espontâneas dentro de um jogo, proporcionadas pelo empenho do grupo de jogo mais a estrutura do próprio jogo...

Uma das coisas de que mais gosto na abordagem minimalista de criação de mundo [2] que adotei para a campanha Dwimmermount é a forma como ela permite que os jogadores se juntem a mim na adição de detalhes ao mundo durante o jogo. E antes que alguém diga que não há nada de novo ou original nisso e que já faz isso desde 1978 ou algo assim, sim, eu sei. Não estou afirmando ser inovador aqui. Só estou dizendo que, ao não ter elaborado exaustivamente muitos detalhes do mundo com antecedência, dei a mim mesmo e aos meus jogadores espaço para sermos criativos na hora.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O Incognoscível

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em dezembro de 2009)

É necessária uma Cosmologia totalmente amarrada para dar sentido a um cenário de campanha para jogos clássicos de aventura & fantasia? Talvez pontas soltas possam ter proveito em relação ao Incognoscível, ou seja, os Mistérios que permeiam o mundo de jogo...

Planet Algol — um blog que todos deveriam estar lendo — teve um ótimo post na quarta-feira sobre “teorias de grande unificação na fantasia”, e eu concordo praticamente com cada palavra. Em resumo: muitos jogos e cenários de fantasia tentam fazer O Silmarillion e apresentar um universo completo, desde o momento de sua criação até os dias atuais, com cada evento, cada pessoa e cada detalhe seguindo logicamente a partir desse início; isso geralmente é uma Má Ideia. A razão para ser uma Má Ideia é dupla. Primeiro, a maioria de nós não é Tolkien, então simplesmente não estamos à altura das exigências de tal tarefa tão monumental. Segundo, e provavelmente mais importante do ponto de vista dos jogos, teorias de grande unificação frequentemente roubam de um cenário seus mistérios e seu contato com o Desconhecido (e o Incognoscível), a matéria-prima da qual as aventuras são feitas.

domingo, 12 de abril de 2026

Sobre o Poder Oracular dos Dados

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em abril de 2008)

O Poder Oracular do Dado relacionado com a aleatoriedade e o inesperado em jogos old school... Interessante notar que a "lógica" oracular envolve interpretação junto à noção de contexto, coisas ineretes ao jogo...

Ao revisar a primeira edição de Fight On!, fui lembrado de algo que eu sabia, mas nunca havia articulado antes. Uma parte importante do que caracteriza o verdadeiro jogo old school é a aceitação do poder oracular dos dados. Essa aceitação está ligada a vários elementos distintos do jogo old school, então quero discutir cada um deles por vez.

Primeiramente, a aleatoriedade é uma parte importante de qualquer jogo que possa ser razoavelmente chamado de “old school”. A maioria das mecânicas desses jogos, desde a criação de personagens até o combate e a construção de cenários, inclui elementos aleatórios, muitas vezes bastante significativos. Em certa medida, suspeito que isso tenha a ver com o simples amor pelos dados. Há algo profundamente primal em lançar dados e esperar para ver os números que eles revelam. Também há um pouco de risco envolvido — ou pelo menos algo que se aproxima disso em um RPG de mesa. A menos que teus dados sejam defeituosos, você tem a mesma chance de tirar um número alto em um D20 quanto um número baixo. Cada lançamento é, portanto, uma espécie de miniaventura, cujo resultado está além do controle de qualquer pessoa.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Amizade e RPGs

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em setembro de 2010)

Em tempos de cartilhas de segurança, de consentimentos, e mesas comissionadas, achamos pertinente trazer mais este texto de Maliszewski...

Acho justo dizer que um dos editoriais mais amplamente criticados de Gary Gygax apareceu na edição 67 (novembro de 1982) da revista Dragon. Intitulado “Poker, Chess, and the AD&D System”, ele é geralmente entendido como a declaração mais forte de Gary contra adicionar ou subtrair coisas do que está contido nos diversos livros de regras de AD&D. Por exemplo, ele diz:
O sistema de jogo AD&D não permite a inserção de material estranho. Isso está claramente declarado nos livros de regras. Trata-se, portanto, de algo simples: ou se joga o jogo AD&D, ou se joga outra coisa, assim como se joga pôquer de acordo com Hoyle, ou xadrez (ocidental) pelas regras de torneio, ou não se joga. Como o jogo é propriedade exclusiva da TSR e de seu criador, o que é oficial e o que não é tem importância para quem joga o jogo. Jogadores sérios aceitarão apenas material oficial, pois jogam o jogo, em vez de apenas “brincar” de jogar, como fazem aqueles que gostam de regras caseiras no pôquer ou que apenas empurram peões no tabuleiro de xadrez. Nenhum poder na Terra pode impedir que jogadores adicionem regras e materiais espúrios aos sistemas de D&D ou AD&D, mas, da mesma forma, não se pode então afirmar que se está jogando qualquer um desses jogos. Tais jogos não são D&D ou AD&D — são outra coisa, classificável apenas sob o rótulo genérico “FRPG” [Fantasy RPG]. Em suma, se você joga ou não qualquer um desses jogos é problema seu, mas, para dizer que joga, é obviamente necessário jogar com as regras oficiais, tal como escritas. Assim, quando você recebe informações nestas páginas que trazem o selo “oficial”, isso significa que podem ser usadas imediatamente no jogo.
Muita discussão interessante poderia surgir apenas explorando esse parágrafo, mas esse não é meu objetivo aqui. Quis apenas apresentar um exemplo ilustrativo do tipo de retórica que era bastante comum no final da Era de Ouro [2], embora, se observarmos atentamente, possamos encontrar declarações semelhantes desde o início de todo o projeto AD&D.

Agora, como leitores regulares saberão, eu não concordo muito com a atitude expressa na citação acima, mas, após refletir bastante sobre isso, acho que passagens como essa precisam ser vistas dentro de um contexto mais amplo. Gygax expressou esse contexto de forma especialmente clara no prefácio de seu Dungeon Masters Guide, que também, não por acaso, é visto com certo desdém por jogadores de uma determinada inclinação filosófica. Ele diz:
Retornando novamente ao aspecto estrutural de ADVANCED DUNGEONS & DRAGONS, o objetivo é criar um “universo” no qual campanhas semelhantes e mundos paralelos possam ser inseridos. Com certa uniformidade de sistemas e “leis”, os jogadores poderão passar de uma campanha para outra e conhecer ao menos os princípios elementares que regem o novo ambiente, pois todos os ambientes terão certas leis em comum (embora não necessariamente as mesmas). Raças e classes de personagens serão praticamente as mesmas. Os atributos dos personagens terão o mesmo significado — ou quase. Feitiços mágicos funcionarão de uma determinada maneira, independentemente do mundo em que o jogador esteja atuando. Itens mágicos certamente variarão, mas seus princípios serão semelhantes. Essa uniformidade ajudará não apenas os jogadores, mas permitirá que os MJs conduzam um diálogo significativo e troquem informações úteis. Isso pode até eventualmente levar a grandes torneios, nos quais pessoas de qualquer parte dos EUA, ou mesmo do mundo, possam competir por reconhecimento.
Novamente, há muito nesse parágrafo que poderia servir como ponto de partida para discussão, mas, para os meus propósitos aqui, o ponto importante é este: Gary está falando das vantagens da uniformidade para o jogador. O que ele imagina é uma situação em que um jogador pode ir de campanha em campanha ao redor do mundo e saber, ao se sentar à mesa, que o MJ estará usando exatamente as mesmas regras que ele usava em casa, assim como você pode ir a qualquer lugar do mundo e começar a jogar xadrez ocidental com um estranho, com a razoável certeza de que ambos estão seguindo as mesmas regras.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

As Eras de D&D

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em janeiro de 2009)

Maliszewski propõe classificar o D&D por Eras, abordando sua decadência... Será que um dia o processo será revertido? Achamos difícil...

Em um post recente, eu inadvertidamente criei alguns termos que parecem ter repercutido entre alguns dos meus colegas blogueiros: a Era de Prata e o realismo fantástico. Na época, eu pretendia que ambos fossem termos descartáveis que me permitissem distinguir entre a era de D&D em discussão — a de meados dos anos 80 — e a anterior. Olhando para trás, porém, acho que há muito a se dizer sobre estabelecer um léxico para descrever as várias “eras” do jogo, nem que seja apenas porque isso vai me poupar bastante tempo no futuro. Mesmo que as pessoas não concordem com a forma exata como eu caracterizo uma determinada era (ou sua extensão), pelo menos saberão o que eu quero dizer com isso.

Pré-história (1811–1973): Em geral, esse período não recebe muita atenção neste blog, porque, embora eu tenha jogado jogos de guerra [wargame] e gostado deles, nunca me considerei um wargamer, e são jogos de guerra de vários tipos que habitam essa era. Ainda assim, o período é muito importante, pois produziu vários jogos além de Chainmail que tiveram influências poderosas no desenvolvimento de D&D.

domingo, 5 de abril de 2026

O Jogo Longo (Parte III)

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em maio de 2025)

Algumas sugestões de jogos que Maliszewski considera adequados para campanhas de longo prazo e sandbox...

Nas Partes I [2] e II [3] desta série, apresentei alguns dos princípios e práticas que me ajudaram a conduzir com sucesso várias campanhas de RPG de longa duração. Na minha experiência, flexibilidade, tratar o mundo do jogo como um lugar vivo e investir nas escolhas dos jogadores trazem enormes benefícios. Também mencionei minha rotina semanal: preparação muito leve, reutilização frequente de material antigo, acompanhamento do que realmente importa e formas de manter o engajamento dos jogadores entre as sessões. Tudo isso é independente de sistema e, até certo ponto, pode ser aplicado a qualquer jogo de RPG com a mentalidade certa. No entanto, percebi que certos jogos tornam esse estilo de jogo mais fácil. Eles já partem desse princípio ou oferecem regras e mecânicas que reforçam o tipo de construção de mundo aberta e colaborativa em que campanhas longas prosperam.

Assim, para concluir esta parte da série – há mais alguns textos relacionados chegando na próxima semana – quero recomendar alguns RPGs que joguei e que considero particularmente adequados para sustentar campanhas duradouras e orientadas pelos jogadores.

Dungeons & Dragons

As edições da TSR de Dungeons & Dragons, especialmente AD&D, são construídas sobre pressupostos que naturalmente apoiam campanhas de longo prazo. Elas tratam o mestre como a autoridade final, pressupõem liberdade de ação dos jogadores e não oferecem uma trama ou “história” pré-definida. A progressão após os primeiros níveis é lenta, a exploração é amplamente recompensada e o mundo do jogo existe além dos personagens dos jogadores. Esses jogos fornecem excelentes estruturas para o tipo de campanhas emergentes, ricas em facções e orientadas por consequências que considero eficazes a longo prazo. Embora eu não jogue AD&D há anos, ainda acho que ele tem a combinação certa de elementos para incentivar um jogo sustentado e imaginativo, especialmente se o árbitro se sentir confortável usando seu próprio julgamento.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O Jogo Longo (Parte II)

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em maio de 2025)

Maliszewski continua sua abordagem sobre campanhas de longo prazo, agora com alguns elementos mais concretos... Segunda parte de três...

Na Parte I [2], apresentei alguns princípios gerais que me ajudaram a conduzir campanhas de longa duração com sucesso. Agora, quero oferecer exemplos mais concretos de como preparo e conduzo esses jogos, especificamente o que faço na prática, semana a semana, para manter a campanha em andamento. Como disse antes, não estou sugerindo que meu método seja o único ou mesmo o melhor. É simplesmente o que funcionou para mim ao longo de várias campanhas que duraram anos ou mais.

Comece de Forma Flexível

Ao iniciar uma nova campanha, tento não me preparar demais. Começo com um conceito amplo ou um cenário geral, muitas vezes algo bem mínimo, como um mapa regional, algumas facções ou até apenas um punhado de ideias evocativas. Não quero me limitar cedo demais nem criar a ilusão de que a campanha tem um “enredo”. Em vez disso, foco em uma situação inicial com possibilidades abertas.

Por exemplo, quando comecei a campanha House of Worms, dei aos jogadores uma premissa simples: eles eram membros juniores de um clã em uma missão atribuída por seus anciãos na movimentada cidade de Sokátis. Só isso. A partir daí, começamos a explorar Tékumel juntos e praticamente tudo na campanha se desenvolveu organicamente a partir desse ponto inicial. Essas sessões iniciais foram uma espécie de calibração, ajudando-me a entender onde estavam os interesses dos jogadores, que tipos de desafios os envolviam e em quais direções queriam seguir.

Assim, no começo de qualquer campanha, concentro-me menos nos resultados e mais nas possibilidades: rumores, locais, ganchos e os movimentos de PNJs importantes. Tento oferecer escolhas significativas desde o início e evitar empurrar os jogadores em qualquer direção específica. É por isso que costumo usar o termo árbitro em vez de mestre de jogo. Vejo meu papel como o de um mediador neutro das decisões dos jogadores, não o diretor de uma história previamente planejada.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O Jogo Longo (Parte I)

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em maio de 2025)

Maliszewsli fala um pouco sobre alguns elementos para manter suas campanhas de longo prazo, enquanto árbitro de jogo... Primeira parte de três...

No início desta semana, um leitor me perguntou:
É uma boa pergunta e uma que já abordei antes em diversos textos ao longo dos anos. Em vez de fazer links para todos eles, achei que poderia valer a pena condensar alguns dos meus pensamentos e experiências em algumas máximas gerais. Elas não são exaustivas nem definitivas, mas refletem os princípios que me ajudaram a narrar campanhas que duram não apenas meses, mas anos. Em um post de continuação, entrarei em detalhes mais específicos sobre meus hábitos e práticas de preparação (se é que se pode chamá-los assim).

Sempre que reflito sobre o que tornou uma campanha bem-sucedida, continuo voltando ao mesmo punhado de princípios orientadores. Eles não são glamorosos nem inovadores, mas provaram seu valor repetidamente. Claro, são apenas isso, princípios, não regras. Já “violei” todos eles em algum momento ou outro, muitas vezes durante o curso das minhas campanhas mais bem-sucedidas. Isso é inevitável. Cada campanha é algo único, com seu próprio temperamento e trajetória. Não existe uma fórmula infalível para o sucesso, seja lá como se defina esse termo tão difícil de capturar, mas estas são as coisas que achei mais úteis ao longo dos anos.

Jogue com Amigos

Este é o alicerce. O RPG é, em sua essência, uma atividade social. Ele prospera com camaradagem, confiança e um senso compartilhado de compromisso com o jogo. Você não precisa começar uma campanha com uma mesa cheia de amigos próximos — algumas das minhas campanhas mais duradouras começaram com desconhecidos — mas o que importa é que amizades se desenvolvam ao longo do tempo. Quando as pessoas à mesa (real ou virtual) realmente gostam da companhia umas das outras, todo o resto se torna mais fácil. Desentendimentos, quando surgem, são mais simples de resolver. O engajamento dos jogadores aumenta. O jogo se torna algo aguardado com expectativa, porque as pessoas querem passar tempo juntas. Sem esse nível de intimidade amigável, suspeito que seja muito mais difícil manter uma campanha a longo prazo. O RPG depende de um certo grau de vulnerabilidade, imaginação e confiança que é melhor cultivado entre pessoas que se gostam e respeitam umas às outras.

sábado, 8 de novembro de 2025

Um Hobby, Não um Uniforme

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em maio de 2025)

Maliszewski pensando alto sobre "vestir o hobby"...
{pensando aqui em mandar fazer algumas camisetas de boa qualidade com artes de D&D, hein, rs...}

Leitores regulares deste blog saberão que eu já comentei várias vezes sobre o quanto os produtos relacionados a RPG proliferaram nas décadas desde a minha juventude. Entre em qualquer convenção, visite praticamente qualquer loja local de jogos ou navegue por qualquer loja online, e você certamente encontrará uma variedade impressionante de camisetas, moletons, broches, canecas e outros objetos decorados com dragões, dados poliédricos ou slogans engraçados sobre pontos de vida e jogadas de proteção. Há broches de esmalte em forma de D20, dados de pedras preciosas feitos de gemas reais e até roupas de bebê. Para muitos jogadores, isso é simplesmente uma extensão natural de sua paixão, uma maneira de levar um pedacinho do hobby com eles onde quer que vão.

Para mim, um verdadeiro “careta” assumido, é algo com o qual eu nunca realmente me conectei. Na verdade, me faz um pouco cringe.

Isso provavelmente soa estranho vindo de alguém que escreve um blog dedicado a jogos de RPG. Provavelmente já passei mais tempo pensando e escrevendo sobre esses jogos do que muitos dos meus colegas jogadores — se isso é bom ou ruim ainda está para ser visto — e nunca hesitei em falar sobre meu hobby com outras pessoas. Na verdade, geralmente descobri que, quando explico meu interesse por RPGs a não jogadores, a maioria deles fica curiosa, até entusiasmada. Jogar RPG é, sem dúvida, um hobby incomum, mas graças a décadas de jogos de computador e videogames, romances de fantasia e programas populares de streaming, acho que hoje em dia a maioria das pessoas tem alguma noção do que estou falando, mesmo que nunca tenham rolado um dado em um momento de tensão.

Apesar disso, raramente uso camisetas ou qualquer outro tipo de roupa que anuncie meu envolvimento com o hobby — pelo menos não em público. Eu até possuo algumas dessas peças, claro, mas geralmente as uso como roupas de dormir. Isso não é por vergonha. Se eu tivesse vergonha, provavelmente não teria passado tantos anos documentando publicamente meus pensamentos sobre RPGs obscuros, antigos módulos de AD&D ou os detalhes de Tékumel. Na minha idade, estou bastante confortável com quem sou e com a forma como gosto de passar meu tempo livre. Ainda assim, não me defino pelos meus hobbies, muito menos sinto necessidade de divulgar meus interesses por meio de tecidos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Turistas & Moradores Locais

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em junho de 2025)

Mais uma vez Maliszewski comenta sobre sua predileção pela Campanha Longa num jogo de RPG, metaforizando com a imagem do turista vs. o morador local, sem criar antagonismo pela preferência em levar uma vida de turista... "De vez em quando é bom ser turista"...

Tenho quase certeza de que já expressei anteriormente minha antipatia geral por “one-shots” ou “mini campanhas”. Para ser claro, minha antipatia não é absoluta, mas raramente as procuro. Quando participo delas, muitas vezes saio levemente insatisfeito. Uma das maiores alegrias dos RPGs, pelo menos para mim, está na continuidade de uma campanha longa [2]: o modo como os personagens crescem, mudam e acumulam história com o tempo; como o cenário se aprofunda e ganha textura; como detalhes aparentemente irrelevantes das primeiras sessões, de repente, ganham novo significado meses (ou até anos) depois. Quando tenho a chance, prefiro me estabelecer, criar raízes e ver o que emerge a longo prazo. Esse é geralmente meu objetivo quando me sento à mesa com amigos. Quero uma campanha, não um caso passageiro.

E, no entanto...

Nos últimos anos, passei a apreciar os prazeres distintos dos jogos de convenção: aquelas sessões de quatro horas com um grupo de desconhecidos que começam e terminam em uma única tarde ou noite. Me diverti bastante na Gamehole Con do ano passado e saí de várias sessões me sentindo energizado e inspirado. Essa é parte da razão pela qual estou ansioso para me inscrever em mais este ano. No papel, os jogos de convenção são o oposto do que normalmente procuro em um RPG. Eles são autossuficientes, focados e impermanentes. Quando a sessão termina, terminou. Então por que eles não me deixam com a mesma sensação de vazio que uma campanha caseira de curta duração costuma deixar?

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Mantenha-os Famintos

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em junho de 2025)

Maliszewski comenta um pouco sobre a dinâmica "Necessidade X Recompensa (não apenas monetária)" ao longo da escalada de uma campanha duradoura, algo que ele mesmo admite não ser novo, porém, mesmo assim, não deixa de trazer suas reflexões...

Há pouco tempo, comentei com o árbitro de uma campanha de longa duração da qual participo que ele havia conseguido algo bastante raro: um equilíbrio constante e satisfatório entre recompensa e necessidade. Nossos personagens recebem apenas o suficiente — seja em dinheiro, itens ou status — para sentir que seus esforços são significativos, mas nunca o bastante para que se tornem complacentes ou percam o rumo. E por “recompensas”, não me refiro apenas a dinheiro, embora valha notar que os incentivos monetários são frequentemente subvalorizados nos jogos modernos. Na campanha House of Worms, por exemplo, dois dos seis personagens originais foram inicialmente motivados em grande parte pela busca por riqueza. Levaram anos de jogo para alcançar esse objetivo, momento em que já haviam adquirido novas aspirações, baseadas em relacionamentos, segredos e obrigações acumulados ao longo do caminho. A busca pelo ouro os colocou em movimento, mas nunca foi o destino final.

Na minha experiência, um dos desafios constantes nos jogos de interpretação é manter o equilíbrio entre deixar os personagens “famintos” o suficiente para se manterem motivados, mas não tão privados que cada ação seja impulsionada pelo desespero. Essa tensão é especialmente acentuada nos primeiros anos de uma campanha, quando os personagens ainda estão se firmando. Trata-se de um ato de equilíbrio sutil e vital, que árbitros e jogadores devem saber conduzir, pois tem um impacto profundo sobre o quão envolvente, empolgante e até mesmo jogável a campanha se torna.

terça-feira, 22 de julho de 2025

"Precisamos de Campanhas Longas"

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em novembro de 2020)

Maliszewski mais uma vez comenta sobre a Campanha Longa como um modo de jogo fundamental presente no hobby...

Minha aversão ao conflito frequentemente enfraquece a contundência das minhas postagens. Um exemplo disso é a minha recente postagem sobre campanhas longas [2]. Meu desejo de não ofender ninguém que, por circunstância ou preferência, não joga o mesmo RPG com o mesmo grupo de pessoas por anos a fio levou a uma publicação muito mais fraca do que eu pretendia. Felizmente, o noisms, do blog Monsters and Manuals, disse isso melhor do que eu [3]:

Precisamos de campanhas longas. Precisamos sentar com o mesmo grupo de pessoas regularmente ao longo dos anos, contando o tipo de histórias que exigem concentração e reflexão e, acima de tudo, lealdade; histórias que ganham impulso próprio com altos e baixos, fluxos e refluxos, subidas e descidas e idas e vindas; histórias em que os eventos que acontecem importam porque têm um contexto, um histórico e um futuro desconhecido esperando para ser descoberto. Não precisamos das frivolidades inconsequentes dos one-shots; precisamos de tempo.

Isso é exatamente o que eu estava tentando dizer, de maneira distante, contida e indireta, e não consegui. Fico feliz que noisms conseguiu, ainda assim, intuir o que eu deveria ter dito com mais ousadia, e sou grato por sua formulação ser tão inequívoca.

Lembro-me de ter lido, no início deste século, quando a febre do D20 ainda estava no começo, um post ou artigo (possivelmente de Ryan Dancey, embora eu possa estar enganado) que dizia que a duração média de uma campanha de Dungeons & Dragons era de 18 meses, e que a 3ª edição foi, portanto, projetada para levar os personagens do 1º ao 20º nível nesse período (assumindo sessões semanais por um certo número de horas, etc., etc. — os detalhes exatos me escapam). Mesmo naquela época, quando eu ainda estava bastante envolvido com o carinho pela nova edição, achei esse número absurdo. Dezoito meses? Um ano e meio não é tempo nenhum — mal dá para desenvolver uma campanha significativa [4].

quarta-feira, 16 de julho de 2025

O Tempo na Campanha Old School

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em julho de 2009)

Maliszewski compartilha um pouco de suas reflexões sobre o registro do fluxo temporal numa campanha longa de D&D, buscando reforçar o ponto do quanto tal procedimento é importante...

O tempo de jogo é de suma importância. A falha em manter um controle cuidadoso do tempo gasto pelos personagens dos jogadores resultará em muitas anomalias no jogo. A restrição de tempo é o que torna significativa a recuperação de pontos de vida. Da mesma forma, o tempo gasto em aventuras nas áreas selvagens afasta os personagens de suas bases de operação — sejam elas aposentos alugados ou fortalezas com ameias. Certamente, a mais importante restrição de tempo diz respeito à produção de itens mágicos, pois durante o período de tal atividade nenhuma aventura pode ser realizada. O tempo também é considerado na obtenção de níveis, no aprendizado de novos idiomas e mais. Todas essas exigências sobre o tempo de jogo forçarão os personagens dos jogadores a fazer escolhas, e também numerarão seus dias de vida no jogo.

Uma das coisas enfatizadas no jogo original de D&D era a importância de registrar o tempo de jogo em relação a cada personagem de jogador na campanha. Em AD&D isso é ainda mais enfatizado: VOCÊ NÃO PODE TER UMA CAMPANHA SIGNIFICATIVA SE REGISTROS RIGOROSOS DE TEMPO NÃO FOREM MANTIDOS.

Assim falou Gygax no Dungeon Masters Guide do AD&D. Como fazia com frequência, Gary estava, sem dúvida, usando de certa hipérbole para enfatizar seu argumento, mas esse argumento continua válido. Cito os parágrafos acima porque fui lembrado deles ao reler o volume The Underworld & Wilderness Adventures de OD&D, que de fato inclui, como afirma Gygax, uma seção sobre o registro da passagem do tempo.

domingo, 6 de julho de 2025

Não é um Passatempo Casual de Salão

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em outubro de 2020)

Maliszewski e sua predileção pelo jogo de campanha longa, reconhecendo suas dificuldades mas também o caráter fundacional no gênero...

Intitulado Tékumel Source Book, o volume 1 de Swords & Glory, de 1983, está repleto de detalhes sobre o mundo fantástico do Trono de Pétalas, criado por M.A.R. Barker. Assim como o Dungeon Masters Guide de Gary Gygax, o Source Book está tão densamente recheado de informações que é fácil abri-lo em uma página aleatória e encontrar algo interessante. Neste texto, porém, quero chamar a atenção para um único parágrafo da introdução do livro:

Como o nome indica, uma campanha de jogo de interpretação de fantasia não é um passatempo casual de salão, algo a ser iniciado e concluído em uma única noite. Ela é feita para continuar por vários meses ou até anos, com encontros semanais, mensais, etc., que podem durar horas seguidas. Estabelece-se um personagem, uma “persona” em um mundo novo e desconhecido, e observa-se esse indivíduo crescer, progredir na sociedade, enfrentar desafios e superá-los e – com sorte – chegar a se aposentar como Alto General do Império (ou algo parecido) numa idade avançada! Isso leva tempo, e não é tanto o resultado final, mas sim a empolgação ao longo do caminho que proporciona o verdadeiro interesse. É possível criar campanhas curtas e simples, claro: cenários completos em si mesmos, para uma noite de jogo. Para mim, pelo menos, essas não são tão divertidas quanto o processo de longo prazo de desenvolvimento do personagem, mencionado acima.

sábado, 5 de julho de 2025

TDAH do Jogador e a Campanha

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em junho de 2010)

Maliszewski comenta mais uma vez sobre seu interesse por campanhas longas e jogos longos, e como esse estilo está atrelado às raízes do hobby...

Embora seja possível jogar uma partida única, sem relação com outros eventos de jogo passados ou futuros, são para as campanhas que estas regras foram projetadas.

— E. Gary Gygax,
Prefácio do Volume 1 de OD&D,
1º de novembro de 1973

Pensei nessa citação recentemente ao refletir sobre minhas ideias de jogos nos últimos meses. Como você provavelmente percebeu, minha mente andou pulando entre vários jogos diferentes, especialmente aqueles produzidos pela Chaosium e pela FGU, e comecei a considerar a possibilidade de colocar Dwimmermount em hiato por um tempo para tentar algo diferente. A maioria dos jogadores está familiarizada com esse comportamento; na internet, é frequentemente chamado de “transtorno de déficit de atenção do jogador” [gamer attention deficit disorder] e reflete a tendência de muitos jogadores de pular de um jogo para outro com total descuido, sem se fixar em um único por muito tempo.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

O Ritmo do Old School

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em junho de 2009)

Maliszewski comenta sobre o ritmo de alternância entre os momentos de expedições e outros tipos de interação com o mundo de jogo, salientando nesse sentido, o papel da gestão de recursos finitos...

Conduzir a campanha de Dwimmermount tem sido uma experiência valiosa em muitos níveis, sendo o principal deles o quanto estou me divertindo jogando "D&D" novamente. Realmente não consigo enfatizar o suficiente o prazer que essa campanha me proporcionou. Como já disse repetidas vezes neste blog, é muito bom teorizar e filosofar sobre esse tipo de coisa — obviamente —, mas, sem o jogar, tudo isso é em grande parte sem sentido [2]. Afinal, este é um hobby, não um clube de debates, e é o ato de jogar que realmente importa. Tive quatorze sessões dessa campanha desde janeiro (a mais recente das quais postarei ainda hoje ou amanhã), e todas me lembraram, de diferentes formas, por que não apenas entrei, mas permaneci nesse hobby por quase 30 anos. Acho que todos nós precisamos ser lembrados disso regularmente, caso contrário o movimento old school, como tantos outros, acabará se tornando vazio e sem vida.

Outra coisa da qual a campanha de Dwimmermount me fez lembrar é que o tão criticado gerenciamento de recursos nos jogos old school— o mítico "dia de aventura de 15 minutos" — é, na verdade, uma vantagem e não um problema. Na maioria de nossas sessões, a exploração do grupo em Dwimmermount termina porque os jogadores decidem que já usaram muitos de seus recursos finitos — feitiços, poções, mercenários — para continuar sem correr o sério risco de morrerem. Eles então saem da masmorra, indo para a próxima Muntburg ou (mais frequentemente) para Adamas, que fica a três dias de viagem, para se reabastecer.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

O que é um Grognard?

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em março de 2008)

Nesta postagem de 2008, Maliszewski recupera o significado do termo "grognard" em seu blog Grognardia...

Bem-vindo ao começo de uma nova empreitada online.

Este blog leva o nome da palavra francesa grognard, que significa, de forma geral, "resmungão" ou "rabugento". Os grognards originais eram um grupo de soldados veteranos das guerras napoleônicas. Também chamados de "a Velha Guarda", eles haviam lutado sob o comando de Napoleão em muitas de suas campanhas e, embora fossem leais a ele, frequentemente estavam insatisfeitos com a forma como o imperador os utilizava em batalha. Então eles faziam o que qualquer soldado insatisfeito faz nessa situação — reclamavam. Muito.

(Para ser justo, les grognards supostamente reclamavam na presença do próprio Napoleão, e não pelas costas. A maioria das versões sobre a origem da palavra sugere, ou afirma diretamente, que o termo foi cunhado pelo próprio Napoleão e era usado com carinho.)

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

A Mudança no Significado de "Campanha"

(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em outubro de 2008)
"Afinal de contas: o que é uma campanha?! Dando uma olhada nos velhos e breves comentários de James Maliszewski..."

Uma das observações interessantes que fiz ao olhar para a história de Dungeons & Dragons — e, por extensão, para todo o hobby — é a maneira como a palavra "campanha" mudou de significado. A palavra "campanha" é usada pela primeira vez no contexto de RPG em OD&D e é obviamente emprestada dos wargames, que por sua vez a tomaram do termo da ciência militar para uma série de batalhas conectadas. Embora OD&D ocasionalmente faça uma conexão entre grandes batalhas e campanhas, isso não parece ser o significado primário da palavra, já que o texto faz referência à "campanha Greyhawk" de Gygax e à "campanha Blackmoor" de Arneson de uma maneira que não faz muito sentido se o significado fosse centrado principalmente em questões militares. Na verdade, acho que é nessas utilizações específicas que podemos intuir o que se quer dizer com o termo no contexto de OD&D.

Na introdução [sic] do Volume 1 de OD&D, Gary Gygax observa duas coisas. Primeiro,
"Embora seja possível jogar um único jogo, sem relação com quaisquer outros eventos passados ou futuros, é para a campanha que estas regras foram projetadas." (ênfase minha)