Jogos de interpretação de papéis, quando devidamente compreendidos, não são histórias. São eventos imaginários resolvidos por meio de mecânicas de jogo, dos quais histórias emergem posteriormente. Entretanto, jogos de interpretação de papéis têm muito em comum com histórias. Uma das semelhanças mais óbvias são os personagens. Já falei um pouco sobre personagens dos jogadores aqui no blog, mas quero falar um pouco sobre como construo personagens não jogadores [PNJs, ou NPCs: non-playable character] e por que eles são fundamentais para um grande jogo.
Mencionei ontem que tenho estudado alguns materiais sobre roteiros cinematográficos em busca de técnicas que possam ser aplicadas aos RPGs. Um deles é um livro do consultor de roteiros Karl Iglesias. Seu livro, Writing for Emotional Impact, realmente me fez pensar sobre a maneira como conduzo minhas partidas e, infelizmente, reforçou minha convicção de que a maior parte da escrita de aventuras de RPG é terrível. Na citação a seguir, ele está falando sobre como construir personagens antes de começar efetivamente a escrever um roteiro.
Um dos principais modelos para o desenvolvimento de personagens é o que poderíamos chamar de “Método Frankenstein”, que se baseia em costurar várias respostas retiradas de fichas de personagem. Nesse método, você se senta diante de uma ficha e preenche os espaços em branco das seções física, sociológica e psicológica. Qual a idade do personagem? Qual a sua altura? Qual é sua profissão? Do que ele gosta e do que não gosta? Nome, conferido. Local de nascimento, conferido. Hobbies, conferido.
Parece meio com a criação de um personagem, seja um PJ ou PNJ, no início de uma campanha, não é?
Ele prossegue recomendando que um roteirista faça cinco perguntas fundamentais sobre seus personagens. Tornei a última opcional e adaptei as perguntas, retirando-as do contexto da escrita de roteiros e trazendo-as para a maneira como podemos pensar em um PNJ importante de nossa campanha. Vou me aprofundar nisso em posts posteriores. Por enquanto, eis um resumo. Isso se aplica tanto aos amigos quanto aos inimigos de seus personagens jogadores.
1. Quem é esse PNJ?
a. Classe/Arquétipo e Nível de Poder em relação aos PJsb. Traços: aparência, padrões de fala, estado emocionalc. Valores: ponto de vista, atitudes, aquilo que valoriza, aquilo que odeiad. Falhas: traços negativos, medos, ressentimentos, falta de objetividade, ferimentos
2. O que ele quer? O PNJ precisa querer alguma coisa.
3. Por que ele quer isso? Qual é a sua motivação? Seus jogadores certamente especularão sobre isso sem parar, especialmente se você estiver jogando uma campanha de caráter investigativo.
4. O que acontece se ele fracassar? Você precisa saber quais são as consequências em jogo. A fazenda? A aldeia? O reino? O mundo?
5. Como ele muda? Opcional. Em um filme, a maioria dos protagonistas muda de alguma maneira entre o início e o final da história. Seu PNJ pode não mudar de maneira significativa desde o começo até o fim da aventura/campanha. Pode acontecer, e isso deve ser levado em consideração.
∞ Travis Miller ∞
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1. https://grumpywizard.home.blog/2019/03/08/building-non-player-characters/
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