Salve!
| Algumas questões simples e concretas relacionadas à megadungeon e o jogador... |
No final do ano passado fiz uma postagem falando um pouco sobre minhas experiências com duas megadungeons. Um dos jogadores das mesas fez um comentário sobre algumas questões concretas relacionadas a esse tipo de jogo. Reproduzo abaixo, com um comentário meu no final:
***
"Aproveitando o texto vou tecer aqui algumas palavras na perspectiva do jogador.
Participei intensamente de algumas dessas mesas citadas e algumas outras. Possivelmente bati mais de 200 sessões em jogos de megadungeons.
Dungeoncrawl é de longe meu estilo de jogo preferido e quando descobri o universo das megadungeons mergulhei de cabeça.
Primeiro ponto que gostaria de destacar é que não é um jogo para qualquer um. Obviamente qualquer um pode jogar, mas como comprovamos na prática, pouquíssimos conseguem se dedicar a algo tão grandioso.
A medida que a exploração avança são geradas muitas informações, muito tesouro (moedas, itens, magias, etc) que precisam ser contabilizados e registrados. Isso toma tempo e demanda dedicação. Em tempos em que vejo jogadores que não conseguem contabilizar os itens da própria ficha [1], é um complicador...
As dungeons do Gillespie, que foram as que mais me dediquei, misturam alguns temas, que a princípio são sem sentido, pensando no metaplot proposto, mas também tem desafios instigantes e uma lore rica.
Penso que ter pelo menos 3 jogadores dedicados é essencial para conseguir avançar numa exploração tão grande. Com esses 3 assumindo a responsabilidade dos registros necessários, será sempre possível contar com os jogadores casuais.
Dito isso, preciso entrar no ponto que talvez eu divirja do autor ou paradoxalmente concorde! Kkk
Qual melhor sistema para encarar uma campanha de megadungeons?
Por se tratar de um jogo de longo prazo, onde os jogadores vão alcançar níveis altos, a escolha óbvia seria um sistema que dê base para isto!
AD&D1? Com certeza vai rodar tranquilamente! Gosta do sistema, está familiarizado com as regras? Vai fundo!! Terá anos de jogatina pela frente!
No entanto, a minha questão principal é: Tem jogadores que dominam e gostam do sistema?
É aí que me reporto à estratégia do autor de abrir várias mesas para que uma vingasse!
Prefiro rodar ou jogar uma megadungeon com um sistema simples como o D&D BX e seus retroclones! Um sistema porta de entrada atrai jogadores e na peneira alguns podem curtir e ficar!
A estrela da campanha é a megadungeon! Personagens são recursos que você usará para conquistá-la! Não dá para perder tempo com fichas detalhadas e principalmente se apegar a seu primeiro personagem!! Não dá para perder 1 hora das suas 3 de jogo, num combate, porque está usando um sistema complexo!
Acho que é isso...
Essas campanhas marcaram significativamente minha vida de rpgista e com certeza ainda jogarei outras! Só preciso vencer o principal desafio do rpgista veterano que é a agenda e encontrar companheiros dispostos a tão grande empreitada!!"
***
É isso aí. Esse foi o comentário do meu camarada, que achei muito pertinente. Sobre a questão do sistema, acho que ele não deixa de ter tazão, entendo perfeitamente preferir um sistema leve em regras. mas por aqui optei por seguir com o AD&D1e mesmo. Sim, estou aprendendo esse sistema, mas isso não me intimida: temos um quórum mínimo de jogadores dispostos a aprender também, e tocar as campanhas em frente. Mas sabemos que não é a praia de todo mundo e isso não tem problema algum. Não nos achamos melhores ou piores do que ninguém, estamos apenas nos debruçando sobre o que nos interessa e nada mais. Realmente não é todo mundo que tem interesse e paciência em relação a jogos longos, bookkeeping rigoroso [2], sitemas com regras mais pesadas, ou até mesmo para D&D clássico em geral. Digo essas coisas passando longe da questão "o jeito certo de jogar blábláblá".
Acho importante isso: com 3 jogadores comprometidos, pode-se ir longe numa proposta de sustentar uma campanha de longo prazo, não precisa de mais que isso (claro, jogadores são sempre bem-vindos, mas você não precisa de uma mesa cheia para tocar uma megadungeon).
Outra questão é o volume de informações que se acumula nesse tipo de jogo, então realmente é importante ter formas eficazes de registrá-las e geri-las, bem como manter um mínimo mínimo de disciplina nessa atividade.
E nada disso é impossível, nem representa um mérito particular, pois o mérito é do Hobby: acho que vários(as) jogadores(as) e mestres(as) que gostam desse estilo de jogo, ao longo do mundo e da história do Hobby, podem afirmar isso.
*Adicionando duas tags de autores: a minha e a do meu camarada que teceu o comentário, que aproveito para deixar um grande salve.
∞ Diego Paiva ∞
∴
Nenhum comentário:
Postar um comentário