(Tradução, com permissão do autor, do texto presente em [1], publicado em abril de 2026)
| Início de uma série de textos de Jonathan Becker com foco em AD&D1e, com temas de "A a Z"... |
Sim, de fato... outro desafio de blogs de abril de A a Z Quase perdi o deste ano, pois ele estava completamente fora do meu radar. Mas ler o blog do Tim esta manhã me lembrou dele (mesmo que ele esteja se abstendo nesta temporada) e também me deu uma ideia para um tema: especificamente, Advanced Dungeons & Dragons, um assunto sobre o qual passo uma quantidade desproporcional de tempo vasculhando a internet e, ainda assim, não consigo encontrar conteúdo suficiente. Pelo menos, conteúdo de qualidade.
Durante o mês de abril de 2026, vou me esforçar para mudar isso. Especificamente, vou tentar (em 26 postagens de blog) oferecer às pessoas um curso intensivo sobre o jogo AD&D (primeira edição)... como abordá-lo, como mestrá-lo, como desfrutar de um sistema que merece ser jogado AGORA, quase 50 anos após sua criação.
Vamos ao que interessa.
A é de Aventura... a verdadeira razão pela qual as pessoas deveriam jogar Advanced Dungeons & Dragons.
Já escrevi estas palavras muitas vezes ao longo dos anos: AD&D é um jogo de aventura de fantasia. É uma das coisas mais difíceis de explicar para pessoas que foram criadas com edições posteriores do jogo. A linguagem instrucional dos livros faria você acreditar que o jogo trata de "contar histórias" ou "criação de histórias", o que certamente não era verdade nos primórdios do hobby e, em grande medida, continua não sendo verdade ainda hoje.
E não estou falando de uma aventura apenas da boca para fora. Pergunte a um jogador moderno sobre D&D e ele TALVEZ diga: "sim, estamos contando histórias sobre 'aventureiros' que partem em aventuras fantásticas". Não, não é disso que estou falando. Se fosse isso que eu quisesse dizer, eu diria isso: que "personagens aventureiros" são a premissa de um jogo de contar histórias.
"É, nós contamos histórias... histórias sobre aventuras." Não.
Um jogo de AD&D é um jogo de aventura. Você tem uma aventura. Os jogadores participam da aventura. ISSO é o jogo.
O personagem que o jogador utiliza para participar do jogo é NADA. Ele é SEM SIGNIFICADO. É o veículo para a interação do jogador com o mundo de jogo. Ele não é um papel a ser interpretado pelo jogador, como em uma peça de teatro [2]. Ele não é um ser fictício que precisa ser encenado e desenvolvido, com conflitos e tramas clamando por resolução. Nada disso.
Quando jogamos AD&D, não estamos participando de um exercício literário. Não estamos nos envolvendo em uma performance.
O personagem é um meio para um fim... é uma ferramenta que dá ao(à) jogador(a) a capacidade de interagir com as mecânicas do jogo e com o ambiente imaginário que chamamos de "mundo de jogo". É NECESSÁRIO ter um personagem, porque o personagem (além de ser um conjunto de números que representam sua eficácia dentro do jogo para fins de interação com as regras) é projetado para ser um método eficaz de sobrevivência em um ambiente de jogo (por concepção) perigoso. Magos. Guerreiros. Etc.
Mas não se engane: o personagem é apenas um veículo de interação. Eis um exemplo que (espero) descreva minha abordagem do jogo:
Eu rolo um conjunto de valores de habilidades. Decido que gostaria de jogar com um determinado tipo de personagem... digamos, um guerreiro meio-orc... e descubro que tenho os valores corretos para fazê-lo. Anoto que sou um guerreiro meio-orc, compro meu equipamento (com base no ouro inicial determinado aleatoriamente), escolho um "alinhamento" (se estiver jogando em uma campanha que utilize isso) e me sento à mesa para jogar.
Quando o MJ me apresenta uma situação... seja um combate repentino com goblins, um encontro à beira da estrada com peregrinos anões, uma sala com uma estátua de ouro desprotegida que pode valer algumas moedas, ou o que quer que seja... digo a mim mesmo:
Dado que sou um guerreiro meio-orc (de alinhamento "x") nesta situação específica, o que faço? Que ações tomo?
Agora, alguns podem dizer: "Espere! Espere! Você está apenas interpretando um personagem! Você ESTÁ tentando se colocar no lugar ficcional desse ser fictício, assim como um ator interpretando um papel no palco!"
Ao que respondo: NÃO. Eu sou *eu* (JB) tomando as ações que eu (JB) quero tomar... com pleno conhecimento e entendimento de que estamos jogando um jogo... levando em conta que minhas capacidades são determinadas pelo personagem que estou usando.
Meu meio-orc é um guerreiro robusto. Ele aguenta alguma pancada e também sabe distribuí-la. Isso informa e influencia a maneira como jogo... não posso usar feitiços mágicos para impactar o mundo, por exemplo. Se estivesse jogando com um mago elfo, minhas opções seriam diferentes.
O personagem é IRRELEVANTE. Personagens MORREM... por design. O jogo é PROJETADO para ser desafiador, e o risco para a própria peça fictícia de jogo (isto é, o personagem) pode ser a MORTE. Felizmente, você sempre pode criar outro personagem e continuar jogando.
Porque isto é um jogo que estamos jogando, não uma história que estamos contando.
POR QUÊ? Por que queremos jogar um jogo de "aventura?
Deixando de lado as razões habituais que se enquadram na categoria de "diversão com os amigos", aventura... isto é, "excitação de tirar o fôlego"... não é algo que as pessoas têm a oportunidade de experimentar todos os dias. Certamente não em cooperação umas com as outras. NORMALMENTE, para obter esse tipo de ação, uma pessoa precisa fazer parte de uma equipe esportiva (o que não é possível para muitas pessoas) OU ir à guerra (algo indesejável para MUITAS pessoas). Com AD&D, você pode experimentar aventura (desafios perigosos) com amigos (AD&D é cooperativo por design) em um ambiente SEGURO (ninguém está realmente sendo morto e, se você distender um músculo, provavelmente está jogando errado). Você não precisa ter determinada idade, gênero, nível de condicionamento físico ou classe socioeconômica para participar de um jogo de AD&D. Você só precisa ser capaz de ler, escrever e rolar dados... uma barreira de entrada bastante baixa.
Então é por aí que começamos: com a abordagem correta do AD&D como jogo. É importante que tenhamos uma compreensão sólida do hobby no qual estamos envolvidos, porque todo o resto será construído sobre essa fundação. Muito tempo e esforço são investidos para conduzir um jogo de AD&D, e não queremos que ele desmorone por causa de falsas premissas e expectativas desalinhadas.
Este é o começo.
∞ Blackrazor ∞
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1. http://bxblackrazor.blogspot.com/2026/04/a-is-for-adventure.html
2. https://dustdigger.blogspot.com/2024/08/sem-interpretacao-de-papeis.html
Essa série estava sendo aguardada!
ResponderExcluirAgradeço demais a indicação, meu camarada!
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